quarta-feira, 29 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DA ASCENSÃO AO MULHACÉN (SERRA NEVADA) 2010




O Mulhacén, com os seus 3482 m é a Montanha mais alta da Península Ibérica.
A Associação de Montanhismo e Escalada ao Algarve (AMEA) promove regularmente actividades de Alpinismo e como eu andava entusiasmado para tentar o cume desta mítica Montanha juntei-me à AMEA nesta expedição.
Já tinha mantido contactos com um alpinista inglês muito experiente, Richard Hartley, no sentido de integrar uma das suas cordadas ao Mulhacén mas por diversos contratempos, quer meteorológicos, quer de disponibilidade minha, acabaria por não chegar a acompanha-lo.
Chegado o dia da partida, encontramo-nos na sede da AMEA em Faro onde viria a conhecer os colegas de expedição:
Micael Teixeira, Junior Claudecir, Filipe Lara Ramos e André Lima Cabrita.
Como éramos cinco, optamos por partilhar o mesmo carro.
Saímos de Faro ao final da tarde em direcção à Serra Nevada.
Chegámos noite cerrada tendo acampado nesta primeira noite já a uma altitude considerável tendo em vista a aclimatação à altitude.
No outro dia de manhã começámos o trek de aproximação ao Refugio Poqueira (2495 m), seguindo a Acequia Alta.
Já próximo do Refúgio, um erro de orientação afastou-nos cerca de 100 m da via o que provocou numa autentica escalada em rocha e neve para atingir novamente a via num ponto mais elevado.
Apesar do desgaste tudo correu bem e chegámos ao Refugio de Alta Montanha Poqueira.
Jantámos e fomos dormir, dado que no dia seguinte a alvorada estava marcada para as cinco da manhã.
Assim foi, depois do pequeno almoço equipámo-nos e começámos o ataque ao cume.
Com os frontais ligados fomos progredindo na neve que estava em óptimas condições (dura) dado ser de madrugada.
Fomos em direcção à "Caldera" onde flectimos à direita subindo o flanco Oeste do Mulhacén, que dá acesso ao cume.
Esta subida é algo exigente e na parte final a progressão deu-se em gelo e rocha.
Finalmente o cume!
Estávamos no ponto mais alto da Península Ibérica.
Tirámos as fotos, exibimos as Bandeiras de Faro e Amea, e começámos a descida pela mesma via.
Chegámos então ao Refúgio onde descansámos e a partir daí fizemos todo o trek de regresso ao carro, novamente pela Acequia Alta.
Chegados ao carro sentimos uma grande alegria pelo sucesso da expedição.
Neste dia tinhamos estado em esforço na montanha num total de cerca de catorze horas consecutivas, mas a alegria era tanta que o cansaço não nos perturbou minimamente.
Regressámos nessa noite a Portugal com mais este cume conquistado.
Era o meu terceiro cume.

MEMÓRIAS DA CANOAGEM EM FARO 1983


No ano de 1983 fui convidado para participar num projecto de construção de canoas, e consequente divulgação da modalidade em Faro.

Com a coordenação por parte do empresário farense António Viegas "Fofo", começámos a construir canoas, utilizando um molde cedido pela antiga DGD (Direcção Geral dos Desportos).

Em poucos meses, lançámos para o mercado várias dezenas de canoas, o que possibilitou a muitos jovens farenses, da altura, iniciarem-se nesta modalidade.

Construí a minha própria canoa e comecei a praticar este desporto na Ria Formosa.

Lembro-me perfeitamente de realizar, a solo, o percurso entre a Praia de Faro e a Ilha Deserta, para visitar a família Sancho e o Alves, regressando à Ilha de Faro no dia seguinte.

Na altura, fui contactado pelo "FAOJ", para colaborar num projecto que visava a realização de uma expedição "Descida do Rio Guadiana - Nascente Foz", onde me empenhei de alma e coração. Infelizmente esse projecto não reuniu os apoios necessários e ficou pela intenção.

Recordo igualmente uma situação "dramática" em que estava a "surfar" com a minha canoa na Praia de Faro, com "mar de fora" e, numa onda, perdi o controlo, fui enrolado, ficando numa situação de "máquina de lavar".
Fiquei bloqueado dentro da canoa, invertido, e tendo ficado sem a pagaia tive de ir buscar forças e sangue frio para me libertar e não me afogar.

Resolvida esta situação regressei ao mar e passei momentos fantásticos.

Muitos foram os percursos que realizei na Ria Formosa, sendo a canoa um excelente meio para descobrir e explorar os recantos tão belos deste Paraíso Natural.

MEMÓRIAS DOS TREINOS PARA ACTIVIDADES NA MONTANHA 2009




Marcha de montanha/pedestrianismo na Via Algarviana (Silves-Monchique) em solitário.

Decidi fazer este percurso em solitário, não só para treinar marcha de montanha, mas também para fazer um reconhecimento para uma possível actividade da AMEA (Associação de Montanhismo e Escalada do Algarve).

É sem dúvida um percurso pedestre com alto grau de dificuldade, com muitas subidas e descidas, destacando-se a subida final com cerca de 700 m de desnível (cerca de 5 horas) entre a Ribeira de Odelouca e Picota.

Aproveitei para marcar uns pontos no GPS para facilitar uma próxima caminhada por aquele percurso que, diga-se de passagem, está muito bem sinalizado.

Uma palavra para as gentes serranas que mostraram grande simpatia e para a Pensão "Descansa Pernas" em Monchique, já considerado um destino para os caminhantes.

O meu agradecimento à Almargem e ao Engº. João Ministro que me facultou as cartas para orientação.

Posteriormente, incluído igualmente no programa de treinos passei uns dias na Fóia, tendo ficado instalado na Estalagem (900 m altitude) e de onde parti para uma série de percursos nesta maravilhosa Serra de Monchique.

MEMÓRIAS DE UM DIA DE ESCALADA NA GARGANTA DA GRALHEIRA 2008




Posso afirmar convictamente que foi um daqueles dias de escalada que nunca se esquece.

Após ter recebido o telefonema do Nuno Santos, convidando-me a conhecer um recente "spot" de escalada no Algarve (Garganta da Gralheira perto de Albufeira) preparei o material e à hora combinada (dez da manhã) lá estava, pronto para escalar naquele vale "esquecido" mas com um potencial fantástico para a prática da escalada.

Constatei no local que iríamos ter a companhia de outros colegas escaladores: Tamara, Janete Fernandes, Celestino Martins e David Rodrigues.

Antes de começarmos a escalar, o Nuno (principal dinamizador daquele "spot") fez questão em me mostrar o local, ficando verdadeiramente maravilhado com esta paisagem praticamente virgem que me transportou para outra dimensão, estando no entanto tão perto da civilização.

A Garganta da Gralheira situa-se entre Albufeira e a localidade de Vale de Parra, onde a Associação de Montanhismo e Escalada do Algarve (AMEA) tem vindo a equipar vias para escalada desportiva.

Neste momento já estão devidamente equipadas mais de duas dezenas de vias, todas elas no entanto com grau de dificuldade elevado (a partir de 6a).

Começámos então a escalada, abordando uma via 6a que, apesar de utilizar a técnica Tope-Rope, só consegui concretizar à segunda tentativa.

Ainda escalei uma via 6b com um sub prumo onde senti bastante dificuldade, mas que ultrapassei.

Tive a oportunidade de admirar a actividade dos excelentes escaladores Nuno Santos, David Rodrigues e Celestino que concretizaram encadeamentos de cortar a respiração.

Uma palavra para as senhoras que evidenciaram igualmente uma técnica bem apurada de escalada.

Ao cair da noite demos por terminada a actividade, satisfeitos por termos passado um belo dia de escalada na garganta da Gralheira.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DO MEU PRIMEIRO CUME 2009




O MEU PRIMEIRO CUME (ALMANZOR 2592 m) SERRA DE GREDOS ESPANHA

No ano de 2009 participei numa expedição de alpinismo ao pico Almanzor em Espanha.
Esta seria a minha oportunidade de conquistar o cume de uma grande montanha.
O ponto de encontro escolhido para o início desta aventura foi a localidade de Arenas de S. Pedro (Ávila) em Espanha, situada a pouca distância da região montanhosa denominada por Circo de Gredos onde tentaríamos a ascensão ao Almanzor, o seu pico mais alto.
Chegado a Arenas tive a oportunidade de conhecer os restantes membros da expedição, colegas que vinham de vários pontos de Portugal, Évora, Lisboa e Porto.
Ficámos uma noite instalados num "Hostal" da cidade, onde curiosamente o proprietário era um montanhista experiente e que nos colocou a par das condições meteorológicas previstas para os próximos dias, bem como o estado da neve e gelo.
As notícias eram animadoras transmitindo-nos um estado de confiança e aumentando a determinação.
No dia seguinte, bem cedo, preparamos o equipamento e deslocámo-nos ao local de acesso à montanha denominado por Plataforma (1770 m), onde deixámos as viaturas.
A partir daqui empreendemos uma subida de certo modo exigente que nos levou aos "Barrerones", local infelizmente famoso pelo facto das condições meteorológicas se alterarem num ápice, e onde se tem perdido muitos alpinistas.
Começámos então uma inclinada descida que nos levou à Lagoa que se encontrava gelada mas que decidimos contornar por motivos de segurança.
Chegámos ao Refúgio Elola (2000 m) onde recuperamos energias e tratamos do alojamento para a pernoita.
Nessa tarde fomos para a montanha onde praticámos exercícios de escalada em neve e gelo, onde nos deliciámos com a imensidão e beleza do espaço.
Regressámos ao Refugio de Alta Montanha onde jantámos e recolhemos às camaratas.
No outro dia ainda de madrugada tomámos o pequeno almoço, equipámo-nos, e com os frontais colocados nos capacetes iniciámos o ataque ao cume.
A primeira hora de progressão decorreu sem dificuldade de maior, mas a partir da "Portilla Bermeja" iniciámos uma subida muito inclinada que nos deu acesso à "Portilla del Crampon".
A partir daqui tivemos de escalar uma parede quase vertical de rocha e gelo e finalmente o cume!
Senti uma grande alegria e festejámos o sucesso da primeira parte da expedição porque faltava a sempre perigosa descida.
A via para a escolhida para o regresso foi a da "Portilla de los Cobardes", assim denominada por ter um aspecto intimidante e onde muitos alpinistas resolvem voltar para trás e regressar pela via do Crampon.
Ultrapassada essa passagem dirigimo-nos ao "Venteadero" e após mais uma exigente descida regressámos ao Refúgio.
Ficámos cerca de uma hora a recuperar energias e fizemos todo o percurso de volta até à Plataforma.
Regressei nessa noite a Portugal, satisfeito e orgulhoso com o sucesso desta expedição.
O meu primeiro cume já estava.

MEMÓRIAS DA REGATA "SUBIDA E DESCIDA DO GUADIANA" 1991



Subida e Descida do Guadiana à Vela 1991

Outra das regatas carismáticas em que marquei presença foi na tradicional Subida e Descida do Rio Guadiana.

Nessa regata, o Ginásio Clube Naval de Faro esteve representado com duas tripulações, o Hugo Rocha e Eduardo Seruca na classe 470, e eu com o meu amigo e proa Filipe Nascimento "Pimpim" na classe Snipe.

A deslocação para Vila Real de Santo António começou de forma atribulada, dado que o atrelado em que transportávamos os barcos furou à saída de Faro para Olhão, tivemos de desmontar a roda furada, voltar a Faro para reparar, e montar novamente no local.

Continuámos a viagem e, chegados ao clube de Vila Real de Santo António, aparelhámos os barcos e dirigimo-nos para a linha de largada.

Nesse dia estava vento favorável e realizámos o percurso até Alcoutim sem problemas, cortando a linha de chegada em terceiro lugar, atrás dos snipes de Olhão e Vila Franca de Xira.

A tradicional festa em Alcoutim durou até às tantas.

Na manhã seguinte, ainda em "ressaca", fomos para a largada da segunda parte do percurso até VRSA.

A descida do rio realizou-se com vento contra, à bolina e a "bordejar", tendo tomado a dianteira da regata, até relativamente perto da chegada, onde fomos ultrapassados pela tripulação de Vila Franca num salto de vento que não soubemos aproveitar.

Conquistámos no entanto o segundo lugar, o que numa prova com estas características não deixou de ser um feito.

A entrega de prémios decorreu no Casino de Montegordo e regressámos a Faro plenamente satisfeitos com a classificação obtida numa prova tão importante, que ainda hoje atrai muitos velejadores portugueses e espanhóis.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DA REGATA "4 HORAS" DO GUADIANA 1977


Participação na Regata de Vela Ligeira 4 Horas do Guadiana 1977

Durante a minha carreira de velejador, tive a oportunidade de participar na quase totalidade das provas mais carismáticas que se realizaram na década de 70 no Algarve.

As famosas 4 horas do Guadiana foi uma delas.

Representando o Ginásio Clube Naval de Faro, concorri nessa regata a bordo do Cadete 7046, com o meu proa Paulo Loia.

A deslocação da frota do Naval de Faro para Vila Real de Santo António envolveu bastantes meios, ainda que nesses tempos a logística fosse escassa, mais na base do "desenrasca".

Mobilizaram-se algumas viaturas e atrelados e lá fomos para VRSA.

Esta prova consistia na realização de um percurso triangular nas águas do Guadiana, relativamente perto da foz, onde se tinham de cumprir 4 horas em competição.

Aparelhámos o barco e fomos para a linha de largada.

Esta prova, pela sua tradição, atraía um grande número de velejadores, proporcionando um espectáculo de rara beleza a todos aqueles que assistiam nas duas margens do Rio Guadiana.

O tempo estava excelente para a prática da vela, soprando um vento na ordem dos 10 - 11 Nós.

Nesta prova concorriam na nossa classe cerca de uma dezena de embarcações, contra as quais competíamos.

Nas primeiras duas horas liderámos a prova, na nossa classe (Cadetes), mas perto do final uma avaria no sistema de desmultiplicação da escota (cabo que serve para manobrar a vela) relegou-nos para o quarto lugar.

Só o facto de ter participado nessa prova me encheu de alegria, a qual não posso deixar de recordar com alguma saudade.

domingo, 26 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DA REGATA OLHÃO-FARO-OLHÃO 1977


Regata Olhão-Faro-Olhão (Vela Ligeira) 1977
A Regata Olhão-Faro-Olhão foi sem dúvida uma das provas de vela mais carismáticas em que participei.
Naquela altura, transportar os barcos em atrelados para outras localidades era bastante complicado, dado que os meios eram escassos (logística quase inexistente).
Para disputar esta prova, os velejadores do Naval de Faro efectuaram a deslocação entre Faro e Olhão navegando pela Ria Formosa.
A regata estava marcada para Domingo, e no Sábado anterior lá fomos a navegar pelos canais da Ria, deixando os barcos no Clube de Olhão. Alguns regressaram nas viaturas dos pais, outros de autocarro.
No Domingo, com o meu proa Paulo Loia Guerreiro, aparelhámos o Cadete 7038 e fomos para a linha de largada.
A Ria estava repleta de barcos à vela, representando vários clubes algarvios.
Largámos, e a primeira parte do percurso realizava-se até ao cais comercial de Faro, onde tivemos de rondar uma bóia, regressando depois a Olhão.
Nessa rondagem estava classificado em segundo lugar, atrás de uma tripulação no Cadete de VRSA.
Içámos então o balão (vela para mareações favoráveis), escolhendo as melhores trajectórias nos canais da Ria Formosa e aproveitando as correntes.
Quando chegámos à Praça Larga (Farol) conseguimos ultrapassar os nossos adversários, ganhando inclusivamente uma confortável vantagem acabando por vencer destacados esta importante prova.
Foi uma vitória com um sabor especial.
Após a entrega dos troféus regressámos a Faro navegando novamente pela Ria, chegando ao Naval de Faro ao cair da noite, com a grande satisfação da vitória conquistada.

sábado, 25 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DE UMA VIAGEM NUM PEQUENO VELEIRO 1987


AVENTURA NA COSTA PORTUGUESA

No final do verão de 1987 fui convidado pelo Eduardo "zapinha" para levarmos um pequeno veleiro, construção caseira, (cerca de sete metros) de nome "Kamal" da Marina de Vilamoura para a Doca de Belém em Lisboa.

Chegámos a Vilamoura e encontrámos o nosso amigo Perna, que como tinha de ir para Lisboa decidiu juntar-se nós, aproveitando esta experiência náutica.

O Eduardo já tinha "tratado" de tudo, alimentação, combustível, etc, e fizemo-nos ao mar.

Soprava um vento fresco e o percurso até Sagres decorreu sem nada a apontar.

Dobrado o Cabo de S. Vicente, caiu a noite, e o vento, tendo-se ligado o motor para prosseguir viagem.

Na zona do Cabo Sardão o motor decidiu parar e o "zapinha" levou mais de duas horas a tentar que funcionasse...sem resultado.

Sem vento, andámos à deriva até nascer o dia e, levantando-se uma brisa, navegámos à vela e decidimos aportar em Sines para resolver o problema.

O Eduardo disse que se calhar tinha metido pouco gasóleo...só soube disto à chegada a Sines... não fiquei nada contente com ele.

Abastecemos, e curiosamente o motor voltou a trabalhar.

Saímos de Sines já ao fim da tarde, rumo a Lisboa.

Antes da atingirmos a península de Tróia, já noite cerrada, o motor voltou a parar desta vez definitivamente e as baterias como é normal numa situação destas descarregaram, tornando-se numa situação muito perigosa pois ficámos sem as luzes de navegação. Como entrou uma brisa, conseguimos velejar na direcção de Sesimbra e foi à luz de uma vela de cera que consultávamos a agulha para manter o rumo.

O Perna estava completamente enjoado e recolheu ao beliche.

Chegámos a Sesimbra e fundeámos em frente ao Forte, passando aí o resto da noite para no dia seguinte decidir o que fazer.

No outro dia levantou-se vento logo de manhã e decidimos arriscar navegar até Lisboa. Assim fizemos.

Dobrámos o Cabo Espichel aproveitando o vento que se fazia sentir mas foi já com muita dificuldade que passámos o Bugio, com vento muito fraco e claro sem motor.

Subimos o Tejo até à Doca de Belém, tendo concluído esta viagem já noite cerrada, onde se encontrava o proprietário do barco, desesperado e sem notícias nossas.
Felizmente tudo acabou bem.

Mais uma aventura.

Em memória do Perna.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DAS ESCALADAS NA COSTA VICENTINA 1978 - 1979



As minhas primeiras aventuras na Escalada na Costa Vicentina.
Passado cerca de um ano após me ter iniciado na prática da escalada nos blocos rochosos no Cerro da Cabeça em Moncarapacho, resolvi explorar o potencial da Costa Vicentina para o desenvolvimento desta actividade desportiva.
Falei com o meu colega de aventuras, Jean Michel, e escolhemos a zona entre Monte Clérigo e Amoreira (Aljezur) para realizar uma série de escaladas.
Fomos até Lagos onde apanhamos um autocarro que nos levou até Aljezur.
Iniciámos então a caminhada entre Aljezur e Monte Clérigo (cerca de 7 Km).
Chegados à Praia de Monte Clérigo montámos as tendas e nessa mesma noite houve fogueira na praia, umas cervejinhas e guitarradas.
Já conhecia razoavelmente aquelas paragens, dado que tinha amigos de Faro que passavam as férias do verão naquela zona e já os tinha ido visitar anteriormente.
Na manhã seguinte fomos para o local escolhido para as primeiras escaladas, uma falésia com cerca de 35 metros de altura situada na extremidade sul da Praia da Amoreira, junto à foz do rio.
Utilizámos corda dupla (40 m), pitons de fabrico artesanal, mosquetões, arneses de corda (cadeira suiça) e levei umas botas de montanha "vibram" que um amigo do meu pai me tinha trazido dos Estados Unidos.
A escalada decorreu sem problemas, indo eu à frente "a abrir" e o Jean a fazer segurança.
Recordo-me de ter escalado a cara do "Gigante Deitado"", uma formação geológica xistosa na Praia da Amoreira, tendo atingido o topo, neste caso o "Nariz do Gigante" onde viria a apanhar uns belos sustos principalmente na descida.
Ainda escalámos noutras zonas da Costa Vicentina, pondo em prática os conhecimentos adquiridos anteriormente.
Foram belas aventuras.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DE UMA TORMENTA NA RIA FORMOSA 1977


AVENTURA NA RIA FORMOSA

Estávamos em pleno Inverno, no ano de 1977.
Era Domingo e os velejadores do Naval de Faro, e Faro e Benfica, realizavam mais uma "saída" para a Ria Formosa,
Nessa altura, a Ria enchia-se regularmente de velas brancas que davam cor e beleza a este verdadeiro Paraíso Natural.
Saímos a Doca de Faro "à pagaia" , passámos a ponte do comboio, e aparelhámos os barcos junto ao cais das Portas do Mar.
Nessa manhã fazia-se sentir uma leve brisa de sudoeste, e de velas ao vento iniciámos a navegação.
Pelos canais da Ria Formosa, rumámos à Ilha dos Tesos, e quando mais à frente passámos pelo Cais Comercial reparámos no aumento progressivo da intensidade do vento, que continuaria a aumentar até à Ilha do Farol, onde atracámos junto ao cais de embarque dos barcos da carreira.
Nesse dia navegavam pela Ria cerca de duas dezenas de embarcações, comandadas por jovens velejadores com idades compreendidas entre os 16 e 20 anos, eu era dos mais novos.
Almoçámos no Farol, visitámos a Ilha, e quando começámos a aparelhar os barcos começou a entrar uma tormenta de Oeste bastante violenta.
Já a navegar de regresso a Faro, na Praça Larga, deparámo-nos com uma situação verdadeiramente "dantesca", as águas estavam completamente alteradas, ondas com cerca de um metro, ou mais, e o vento a soprar fortíssimo.
Alguns velejadores da classe snipe desistiram imediatamente do regresso a Faro e, arriando a vela grande, apenas com o estai, rumaram a Olhão, percurso mais favorável e seguro.
Eu, no cadete, mais dois snipes empreendemos o percurso até Faro, à bolina, bordejando pelo canal da Ria Formosa e enfrentando a tormenta.
Perto do Cais Comercial, mesmo à minha frente, assisti estupefacto a um dos snipes partir violentamente o mastro, e ter de encostar à margem, manobra que conseguiu realizar em relativa segurança, ficando a aguardar por auxílio.
Nesse dia só chegaram a Faro dois barcos, um snipe e o cadete onde eu velejava.
Quando entrámos na Doca de Faro verificamos uma situação algo alarmante, os Bombeiros e Marinha saíam para a Ria Formosa tentando localizar e rebocar as embarcações que estavam espalhadas um pouco por todo o lado, incapazes de regressar em segurança, e os pais dos velejadores, como é normal, muito preocupados.
Era já noite cerrada quando todos regressaram sãos e salvos à Doca de Faro.
Foi uma das maiores aventuras que vivi na Ria Formosa, onde, em tempos que já lá vão, saíamos velejando, sem qualquer barco de apoio, contando apenas com nós próprios e com os colegas, mas nessa altura provavelmente a Ria tinha mais beleza.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DA MINHA PARTICIPAÇÃO NA EXPEDIÇÃO AOS ALPES 2009





CRÓNICA EXPEDIÇAO ALPES FRANCESES 2009

Domingo 30 Agosto: Chegada a Chamonix.

Segunda 31 Agosto: Les Houches – Refugio Tete Rousse 3107 metros

Terça 01 Setembro: Tete Rousse- Refugio Goûter 3817 metros

Terça 01 Setembro:Recorde pessoal de altitude em Alta Montanha Goûter – Vallot 4362metros - Cume Dôme Goûter 4304 metros (Exibi orgulhosamente as Bandeiras da Cidade de Faro e AMEA).

Terça 01 Setembro: Descida Vallot – Tete Rousse

Quarta 02 Setembro: Descida Tete Rousse- Les Houches- Chamonix

Devido a apenas termos hipótese de bom tempo na Montanha durante cerca de 30 horas, realizamos a ascensão praticamente directa entre Chamonix e a barreira dos 4000 metros.

Consegui bater o meu recorde de altitude 4362 metros, realizando com sucesso a a ascensão ao Dôme du Goûter e Vallot.

Optei por não tentar fazer cume no Monte Branco dado que o mau tempo estava a aproximar-se, a minha velocidade de progressão não me asseguraria evitar as condições meteorológicas adversas, e a descida era bastante longa e exigente.
Na Montanha, a por vezes difícil atitude de renunciar pode ser decisiva para trazer-nos de volta sãos e salvos.

Os últimos 1800 metros da descida foram bastante difíceis dado que o meu material pessoal ficou na bagagem extraviada pela companhia aérea (TAP) e senti muita falta dos bastões entre outro material.

Cheguei a Chamonix cansado e com uma terrível dor nas pernas mas muito satisfeito por ter regressado em segurança e ultrapassado a barreira dos 4000 metros nos Alpes Franceses.
Memórias que não se esquecem.


Senti-me emocionado quando a o avião tocou a pista do aeroporto de Faro.Foi sem duvida uma das maiores aventuras que vivi ao longo da minha vida, e o facto de ter transportado a bandeira da minha cidade encheu-me de orgulho mas também de responsabilidade.

Felizmente tudo correu bem, apesar de num período de sete dias apenas ter tido 30 horas de viabilidade para ascender na montanha com bom tempo.É claro que o meu objectivo era o Monte Branco...e estive apenas a 400 metros do cume...A montanha é implacável e os erros pagam-se muito caro.

Quando tomei a decisão de descer, sabia perfeitamente que as probabilidades de estar agora a escrever este texto aumentavam consideravelmente.Assim foi. Dei meia volta a 400 m do cume do Monte Branco, também já tinha batido o meu recorde de altitude 4362 m, ainda deu tempo para subir ao Dôme do Gûter 4304 m e descer em relativa segurança, dado que o paredão de 700m onde se encontra o tristemente famoso "Corredor da Morte" não perdoa com mau tempo e presenciei queda de pedras que facilmente provocam tragédias.

Após uma subida directa mas tranquila entre os 1000 e os 4000 m iria sentir muitas dificuldades na parte final da descida e o esforço despendido começou a fazer-se sentir.

Quanto ao resto sinto que cumpri o meu objectivo, ultrapassei os 4000 metros, exibi a bandeira da Cidade de Faro e regressei em segurança.Quero agradecer às gentes da Cidade de Faro o apoio e as mensagens que me enviaram durante esta aventura.


Agradeço à Câmara Municipal de Faro, Óptica Graça, Defesa de Faro, AMEA, e Algarve Press.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DA VELA NA RIA FORMOSA 1973


De Faro à Praia de Faro navegando à vela no Lusito

Com poucos meses de prática no desporto da vela, vivi um dos momentos mais emocionantes que recordo com particular satisfação .
Era Domingo, e como habitual decorria na ex-Mocidade Portuguesa em Faro mais uma actividade na prática da vela.
Dirigi-me às instalações da MP, nas proximidades da Estação dos Caminhos de Ferro, e equipei-me para participar em mais uma saída de vela.
Nesse dia, os colegas velejadores tinham decidido realizar um percurso até à Ilha de Faro (cerca de duas milhas marítimas) navegando pelos canais da Ria Formosa.
Começámos então a aparelhar as embarcações, Cadetes e Lusitos.
Foi-me atribuído um Lusito com o qual realizaria a navegação à vela.
Pouco antes da partida, ainda na rampa de acesso à agua, começou a entrar um vento bastante fresco de sudoeste que provocou o "bater dos panos", emitindo os sons característicos deste abanar das velas.
Chegada a hora colocámos os barcos na água e começámos a navegar.
O Lusito era a embarcação de eleição utilizada na instrução de vela da antiga MP.
Mastro de madeira, vela grande e estai em algodão, escotas em sisal e patilhão de ferro.
Passada a "Ilha dos Tesos" o vento aumentou de intensidade e, praticamente sempre a bordejar (navegar em zigue-zague) lá fui rumando à Praia de Faro.
Os outros colegas também estavam a sentir dificuldades, tendo alguns "afundado", encostando às margens para tirar a água dos barcos.
Com maior ou menor dificuldade acabei por chegar à Ilha de Faro, muito satisfeito por ter efectuado este percurso sozinho e sem qualquer ajuda.
Tempos que já lá vão.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DA VELA ADAPTADA NO ALGARVE 2000 - 2003



Praia de Faro -Vela adaptada 2000

História da Vela Adaptada no Algarve
Conforme previmos no ano 2000, Portugal esteve finalmente representado na Vela nos Paralimpicos que decorreram no ano de 2008 na China.
A Vela Adaptada (nos moldes modernos) teve o seu início no Algarve em Dezembro de 2000.
Um empresário de Almancil, patrocinou um Curso de Vela Adaptada dirigido a Instrutores de Vela.
Para tal deslocaram-se ao Algarve dois Instrutores ingleses (e respectivas embarcações) para esta Acção de Formação.
A Formação decorreu no Centro Náutico na Praia de Faro, onde eu desempenhava, na altura, funções de Monitor de Vela, e já desenvolvia algumas actividades no Desporto Náutico Adaptado.
O Curso foi bastante interessante e produtivo, e no final os Instrutores ingleses propuseram-me iniciar no Algarve esta modalidade desportiva.
Os barcos adaptados ficaram no Algarve nos meses seguintes, tendo aproveitado para organizar demonstrações sobre o potencial Humano e Desportivo deste Projecto.
O arquitecto que desenhou estas embarcações deslocou-se ao Algarve, acompanhado pela Chairman da Instituição Australiana Sailability, participando na primeira grande apresentação e divulgação da Vela para Pessoas Deficientes.
Posteriormente, vários patrocinadores algarvios decidiram viabilizar a aquisição de três embarcações para iniciar a actividade na nossa região.
Comecei então a desenvolver a Vela Adaptada junto dos utentes da Associação Existir (Loulé) sempre em regime de voluntariado.
Mais tarde, Março de 2003, o Algarve recebeu o 1º. Encontro Nacional de Vela Adaptada que foi um sucesso.
A equipa Algarvia participou igualmente num Encontro a nível nacional na Nazaré, onde os nossos atletas conquistaram excelentes resultados.
Antes de terminar, quero agradecer aos professores de Educação Física, Luis (Cabanas de Tavira) e Inês (Alfandanga-Fuseta), ao Filipe Nascimento "Pimpim" (Faro) e sr. Mateus (Ameixial) que sempre me apoiaram neste Projecto.
Tive entretanto de me afastar desta iniciativa devido a incompatibilidade com horários profissionais, mas sei que a actividade foi relançada em Faro.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DO GRUPO DE ESPELEOLOGIA DESPORTIVA DE FARO 1980



Exploração da Gruta da Bita
Após as minhas primeiras aventuras na Espeleologia no Algarve 1979-1980, tive o privilégio de reunir um grupo de amigos em Faro e começar a praticar esta actividade na sua vertente desportiva.
Esses amigos meus eram: José Silva Lobo, Maria José Fazenda, José Pedro Fazenda, Sérgio, José Domingos, e José Guerreiro da Palma.
Escolhemos a Gruta da Bita, perto de Moncarapacho, para levarmos a cabo as primeiras aventuras espeleológicas.
Para lá chegar, apanhámos o comboio em Faro, descemos na Fuseta, e percorremos a pé o percurso até Moncarapacho, sendo o nosso objectivo a Gruta da Bita já na estrada para Estoi.
Após subirmos uma pequena elevação chegámos à entrada da gruta e montámos a escada (corda de nylon com degraus em pvc, de fabrico caseiro) e corda de segurança.
Colocámos os arneses (cintos de segurança) e ligámos as lanternas dos capacetes.
Descemos um primeiro poço com cerca de 10 metros de profundidade sem dificuldade de maior.
Este poço termina numa pequena sala, onde se encontra uma fenda vertical por onde passamos para ter acesso a outra sala bem maior, com estalactites, estalagmites e colunas, onde aproveitámos para tirar umas fotos.
Nessa sala, do lado esquerdo, encontrámos o acesso a mais um pequeno poço com pequena verticalidade e profundidade.
Decidimos então descansar um pouco e comer umas sandes que trouxemos de casa para repor energias.
Voltámos então à exploração da gruta, onde nos deparámos com mais um poço.
Decidimos avançar.
A meio desse poço descobrimos uma pequena passagem, difícil de transpor, que nos levou a outra sala onde encontrámos mais um poço vertical (chaminé), o qual igualmente explorámos.
Estivemos cerca de cinco horas a explorar os recantos desta gruta, encantados com a beleza e espectacularidade que só o mundo subterrâneo nos permite observar.
Foram excelentes as aventuras que passámos na Espeleologia.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DO CLUBE DO MAR / FARO 1996-1998



Cidade de Faro no Programa Oceanofilia Expo 98 em Vela.
No ano de 1996 fui convidado para assumir as funções de Técnico de Vela no Programa Oceanofilia da Expo 98 (Clubes do Mar) em Faro.
Este Projecto, sediado na Escola Dr. Joaquim de Magalhães, sob orientação do Professor Victor Pelica, tinha como objectivo principal contribuir para a iniciação e formação de jovens velejadores.
O Ginásio Clube Naval de Faro cedeu as instalações e comecei o meu trabalho com os alunos da Escola Dr. Joaquim de Magalhães.
Notei desde logo que a adesão por parte dos alunos a esta modalidade desportiva era bastante positiva, evidenciando gosto e determinação pela prática este desporto.
Posteriormente, seleccionei um grupo de velejadores para formar uma Equipa, a qual iria representar o Clube do Mar de Faro nas Provas/Encontros a nível nacional.
Apesar da componente competitiva não ser o mais importante, todas as Escolas Expo 98 no País participaram com o intuito de conseguir a melhor classificação possível.
Dediquei-me de alma e coração à Equipa de Faro e sinto-me bastante orgulhoso por os jovens velejadores desta equipa terem ganho todas as Provas do Circuito Nacional: Apartadura, Lisboa, Aveiro e Faro.
Em Aveiro (Gafanha da Nazaré) foi certamente a prova mais importante, que decorreu integrada no Fórum Escolas Expo 98, e a qual ganhámos nas duas classes de vela: Optimist e L´Equipe, tendo o Clube do Mar de Faro recebido elogios por parte do Ministro Marçal Grilo e Dr. Mega Ferreira.
Com os velejadores, Pedro Fernandes, Nuno Silva, Pedro Balcinha, Miguel, André Simões e Duarte Simões, entre outros, a Escola Dr. Joaquim de Magalhães e o Clube do Mar de Faro, foram bastante acarinhados a nível local e nacional.
Muitos destes velejadores continuam actualmente a "dar cartas" no panorama da Vela Nacional e mesmo Internacional.
Parabéns a eles!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DAS MINHAS EXPERIÊNCIAS EM ALTA MONTANHA 2009 - 2010





Desde a minha adolescência que sonhava ter a oportunidade de escalar grandes montanhas.

Curiosamente, já muito perto dos meus cinquenta anos (2009) comecei a desfrutar destas maravilhosas aventuras.

Comecei pela Serra de Gredos, onde consegui realizar com sucesso a ascensão ao Pico Almanzor 2592 m.

Passados poucos meses empreendi a tentativa de ascensão ao Monte Branco 4810 m nos Alpes.

Esta experiência nos Alpes foi fantástica.

Acabado de chegar a Chamonix apercebi-me que num período de sete dias iria ter apenas cerca de 30 horas para tentar a ascensão ao Monte Branco, devido às previsões meteo.

Parti de Les Houches e rapidamente cheguei ao Refúgio Tete-Rousse.

Descansei umas horas e durante a noite realizei a subida do paredão que dá acesso ao Refúgio Goûter.

Foi colocar os crampons e começar a subida ao Dôme du Goûter.

Já de manhã cheguei ao Refúgio Vallot e constatei que a anunciada chegada de mau tempo iria comprometer o sucesso desta tentativa.

Segundo os meus cálculos, a minha velocidade de progressão não permitiria "fazer cume" e regressar em segurança, evitando o mau tempo, pelo que decidi começar a descer.

No entanto fui absorvido por um sentimento de vitória e não de derrota, dado que tinha ultrapassado largamente a barreira dos 4000 metros num tempo para mim record (Chamonix 1060 m - Refúgio Vallot 4362 m) 20 horas.

Comecei a descer até ao Goûter onde ingeri bastante água e voltei ao paredão.

Realmente o mau tempo apareceu num ápice e começando a chover provocou a queda de bastantes pedras no mítico "corredor da morte".

Cheguei ao Tete-Rousse onde passei a noite.

Na manhã seguinte desci a Les Houches já com dificuldades físicas (dores nas pernas) e finalmente Chamonix.

Foi uma experiência fantástica.

Agradeço desde já o precioso e determinante apoio da Câmara Municipal de Faro, Óptica Graça, AMEA, ADF, e Algarve Press.

Já em 2010 realizei com sucesso a ascensão pelo flanco Oeste do Mulhacén 3482 m, a montanha mais alta da Península Ibérica, numa expedição da AMEA onde participaram os alpinistas, Micael Teixeira, Junior Claudecir, Filipe Lara Ramos, Andre Lima Cabrita e Luís Nadkarni.

Mais uma vitória do Alpinismo Algarvio.

Nas quatro Expedições de Alpinismo (Alta Montanha) em que participei tive sucesso total no objectivo a que me propus (cume) em duas delas (Almanzor e Mulhacén) e consegui o meu recorde de altitude 4362 m no Vallot (tendo conquistado o cume do Dôme du Goûter na Expedição ao Monte Branco 2009) o que considero muito positivo e gratificante.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DO CAMPEONATO DE PORTUGAL DE VELA DA CLASSE CADETE 1976




Um dos momentos da minha carreira como velejador que recordo com grande satisfação e orgulho foi o título de Vice-Campeão de Portugal conquistado em Cascais no ano de 1976.
Na altura representava o Sport Faro e Benfica cuja frota de vela assumia lugar de destaque a nível regional e mesmo nacional.
Para ultrapassar o critério de selecção tendo em vista a participação nesta importante prova tive de me empenhar bastante com muito treino e dedicação.
A tripulação do Cadete 7046 do SFB era constituída por mim como timoneiro e pelo Rui Martins na posição de proa.
Tal não foi a nossa satisfação quando numa reunião realizada na sede do clube em Faro nos foi transmitida a decisão de sermos os escolhidos para representar a Instituição no Campeonato.
Antes de partirmos para Cascais participámos num Estágio de Vela que se decorreu na Ilha do Farol / Deserta, onde estiveram igualmente presentes as equipas do Ginásio Clube Naval de Faro.
Finalizados os treinos preparámos o equipamento e fomos para Cascais.
Nessa altura, para jovens com quinze anos participar num evento desta envergadura era sem dúvida um desafio enorme onde as variadas emoções e nervosismos deram lugar a um estado de grande alegria.
Recordo-me que no primeiro dia do Campeonato tivemos uma avaria no sistema do leme mas que superado nos permitiu classificar-mo-nos em terceiro lugar na primeira regata.
Entravamos bem no Campeonato e nas regatas seguintes conseguimos ganhar uma delas e tirar um segundo lugar.
Nos restantes dias obtivemos sempre resultados nunca abaixo do terceiro lugar o que nos abriu as portas para uma excelente classificação.
Chegámos ao fim da prova, onde estiveram presentes velejadores de todo o País, conquistando o Sport Faro e Benfica o título de Vice-Campeão de Portugal na Classe Cadete, tendo o título de Campeão Nacional sido atribuído à equipa do Ginásio Clube Naval de Faro o que muito nos orgulhou, na medida em que a Cidade de Faro esteve muito bem representada.
Esta participação desportiva ainda nos trás memórias inesquecíveis dos momentos de confraternização que vivemos nesses tempos de jovens velejadores.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DA PRÁTICA DE WINDSURF EM FARO 1980




No ano de 1980 tive a oportunidade de experimentar e iniciar-me na pratica do Windsurf na Praia de Faro.
Esta modalidade náutica era na altura novidade em Portugal com muito poucos praticantes.
Recordo que os meus primeiros contactos com este desporto se desenrolaram no mar, o que aumentou consideravelmente o grau de dificuldade no processo de adaptação, sendo aconselhada a iniciação em planos de água interiores (rios ou lagos).
Como já praticava vela há uns anos, a abordagem ao Windsurf viria a tornar-se relativamente fácil.
Já no ano de 1984 participei no "Troféu Neptuno" , organizado pelo sr. Bernardino (Camané), que decorreu na Praia de Faro e onde estiveram presentes cerca de meia centena de velejadores do Algarve e de todo o País.
Este evento, que se iria repetir nos anos seguintes, tornou-se num excelente meio de divulgação e promoção da Praia de Faro a nível nacional e internacional.
Nessa prova concorri na Divisão II (cascos redondos), utilizando uma prancha à vela "Sodin" que um amigo francês me emprestara.
Classifiquei-me no Top 10 (8º. lugar) tendo superado as minhas expectativas.
A entrega de prémios realizou-se na famosa Discoteca "Desvio", onde se proporcionaram aos concorrentes e convidados momentos de grande confraternização e diversão.
Resolvi então adquirir a minha própria prancha à vela, tendo optado pela "Windglider" com a qual passei excelentes momentos a navegar pelos canais da Ria Formosa e no mar.
Ainda hoje pratico algum Windsurf (clássico) quando tenho disponibilidade, tendo participado no "Windsurf Challenge 2009," organizado pela Conquilha e Centro Náutico da Praia de Faro, destacando-se o espírito de salutar camaradagem que continua a unir as gentes do mar.

domingo, 12 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DA EXPEDIÇÃO À GRUTA IBNE AMMAR 1980




Exploração da Gruta Ibne Ammar em Estômbar 1980


No seguimento das explorações das Grutas Maxila e Bita em Moncarapacho, o Grupo de Espeleologia Desportiva de Faro (GEDF) decidiu conhecer a Gruta Ibne Ammar em Estômbar.

Para esta expedição o GEDF acolheu alguns participantes interessados em descobrir a beleza do Algarve subterrâneo.

Fomos para Estômbar de comboio e percorremos a pé o trajecto até à entrada da Gruta (perto do rio Arade).

O acesso principal estava protegido por uma porta metálica (grades) mas que se encontrava aberta permitindo que explorássemos o seu interior.

Quero salientar que as nossas explorações espeleológicas sempre se nortearam pela preservação do património geológico e ambiental.

A Ibne Ammar divide-se em duas zonas distintas, o lago subterrâneo e a zona denominada por "seca".

Nesta expedição começámos por transpor um sifão seco, bastante difícil tecnicamente, onde a progressão foi lenta e calculada no sentido de precaver qualquer tipo de acidente..

Chegámos então a uma enorme sala que dá acesso ao famoso lago subterrâneo.

Já no lago, observamos a beleza sempre espectacular das formações geológicas formadas ao longo de milhares de anos, estalagmites, estalactites e colunas.

Recordo-me de um colega nosso se ter aventurado por uma chaminé bastante escorregadia e perdendo a aderência lá veio ele de carrinho bater com os "costados" na água do lago, felizmente sem problemas de maior.

Tivemos igualmente a oportunidade de observar milhares e milhares de morcegos pendurados nas paredes da caverna, aguardando o anoitecer para abandonarem a Gruta e partirem à busca de alimento.

Seguidamente exploramos a "zona seca" (autêntico labirinto) onde utilizei estacas com fita fluorescente para marcar o trajecto.

A progressão nesta zona pode ser considerada como algo intimidante, dado que é necessário manter uma constante orientação para salvaguardar o regresso em segurança.

Nem todos os elementos da expedição se quiseram aventurar nesta área mas tudo correu dentro da normalidade.

Passamos um dia inteiro dentro da Gruta Ibne Ammar e quando terminámos tal não foi a satisfação por termos realizado com sucesso mais esta aventura, visitando um local extraordinário que deve ser preservado por todos.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DO VOO EM ULTRALEVE QUICKSILVER 1989



No ano de 1989 abriu uma escola de pilotagem de ultraleves no sítio do Ludo em Faro.
Uma das coisas que sempre quis experimentar foi precisamente o voo, tendo já realizado alguns voos (como passageiro) no Cessna FTB, na Força Aérea Portuguesa, onde cumpri o serviço militar.
Desloquei-me a essa escola e tratei de me inscrever no curso de pilotagem, tendo pago a pré inscrição.
Ficou acordado que quando se atingisse o número mínimo de inscrições dar-se-ia início ao curso (teórico/prático).
Entretanto, por motivo de condições meteorológicas adversas, as infra-estruturas (pista e pequeno hangar de apoio) ficaram irremediavelmente danificadas, a escola encerrou, tendo os ultraleves "Quicksilver" mudado para o então aeródromo de Vilamoura, ficando o curso de pilotagem cancelado.
Em vez de reaver a quantia paga pela pré inscrição no curso, acordei utiliza-la em tempo de voo equivalente.
Já em Vilamoura, com um piloto bastante experiente, realizei dois voos no "Quicksilver" verdadeiramente espectaculares. Sobrevoámos parte da costa algarvia, onde executámos grandes "rapadas" ao mar e algumas acrobacias bastante ousadas, confirmando-se a fiabilidade deste tipo de aeronave.
Foi com total confiança que participei nesta experiência que jamais esquecerei.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DAS MINHAS EXPERIÊNCIAS COM TUBARÕES 2006


Há uns anos fiz parte de uma tripulação especializada na captura de tubarões, para serem etiquetados, possibilitando uma posterior localização e identificação das rotas percorridas.
As espécies referenciadas foram o Tubarão Azul (Tintureira) e Anequim.
O local onde fomos capturar os tubarões situa-se a cerca de 12 milhas da costa (aproximadamente 24 Km), portanto o risco dos tubarões se aproximarem das praias é praticamente nulo.Para o efeito utilizámos canas especiais com anzóis apropriados e "estralhos" em cabo de aço.O isco utilizado é preferencialmente a cavala.
Vou explicar como este processo funciona:
Coloca-se a cavala no anzol, sendo aconselhável cortar-lhe o rabo para que quando estiver submersa sangre, atraindo os tubarões.Utilizam-se várias canas, aumentando o número de isco na água e a probabilidade de captura.Colocam-se as cavalas a profundidades variáveis, não muito próximo do fundo, dado que o tubarão caça preferencialmente perto da superfície.Prepara-se o engodo (cavala esmagada dentro de uma rede tipo "chalavar") que se pendura na borda para ir deixando rasto na água.A embarcação fica à deriva (motores desligados), ao sabor das correntes e do vento, não sendo conveniente que se desloque demasiado rápida ou lenta.
Depois é aguardar.
Com a deslocação da embarcação as cavalas ficam em movimento atraindo os tubarões.Quando se confirma tubarão na linha há que ter cuidados especiais para coloca-lo dentro da embarcação e imobiliza-lo.
Após a captura os tubarões são etiquetados e medidos, evitando-se a todo o custo provocar quaisquer danos no animal, sendo no mais curto espaço de tempo devolvidos ao mar.
É sem dúvida uma actividade interessante.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DAS PRIMEIRAS EXPLORAÇÕES NO ALGAR DA MAXILA 1978


No final da década de 70 do século passado foram realizadas com sucesso as primeiras descidas ao Algar da Maxila no Cerro da Cabeça em Moncarapacho no Algarve.
Tive o privilégio de integrar uma dessas equipas:
João Humberto e Nelson (Moncarapacho), Luis Rocha Cruz e Luis Nadkarni (Faro).
Lembro-me como se fosse hoje dessa aventura:
Começámos por descer um poço através de corda fixa, o qual deu acesso a uma pequena plataforma onde tinha sido previamente montada uma escada (aço com degraus alumínio) e respectiva corda de segurança.
A partir desse local iniciámos a descida de um poço aéreo com cerca de 20 metros que deu acesso a outra plataforma, um pouco maior, onde está incrustado o fóssil de uma Maxila de animal (nome do Algar).
Empreendemos então a descida de mais um poço utilizando escada metálica e corda de segurança ( poço em forma de tubo vertical com cerca de 30 metros de profundidade).
Descemos os quatro em segurança e, quando alcançámos a base, estávamos a aproximadamente 60 metros de profundidade.
O objectivo desta expedição era desobstruir uma passagem que daria acesso a outro poço nunca antes explorado.
O João Humberto preparou a dinamite e após duas detonações conseguiu-se desobstruir a passagem.
O João e o Luís Rocha iniciaram a descida desse novo poço, sendo os primeiros seres humanos a vislumbrar a continuidade do Algar da Maxila (mais cerca de 30 metros).
O Nelson e eu ficámos nos 60 metros a dar segurança.
Na subida do Algar tudo se complicou pois estávamos no inverno, estando a chover torrencialmente todo o dia e apanhámos com uma "enchorrada" de água que vinha da superfície.
Avariaram-se os gasómetros e pilhas eléctricas e foi com muito sacrifício, espírito de equipa, e alguma sorte, dado que conseguimos acender uma pequena vela que nos permitiu ver a primeira escada, que conseguimos subir o Algar até à superfície.
Uma aventura que jamais esquecerei.
À memória do João Humberto.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DAS PRIMEIRAS ESCALADAS NA ROCHA DA PENA (SALIR) 1979


Nos anos de 1978 e 1979 já tinha realizado vários treinos de escalada em blocos rochosos no Cerro da Cabeça (Moncarapacho) e na Costa Vicentina. Decidi então experimentar algo mais arrojado.
Tive conhecimento da Rocha da Pena, através de Topógrafos da ex-Junta Autónoma de Estradas em Faro, e decidi explorar o potencial daquele local para a prática da escalada.
Contactei o meu colega de aventuras, José Silva Lobo, e após uma atenta verificação da zona decidimos escalar no sector ocidental da Rocha da Pena.
Preparámos o equipamento: dois tipos de pitons (progressão e ancoragem) feitos a partir de ferro utilizado nas armações na construção civil, martelo, mosquetões (que tinha comprado na Socidel em Lisboa), cerca de 30 metros de corda dupla (corda vulgar) , corda para fazer as cadeirinhas suíças (arnês) e levei umas botas de montanha (vibram) que um amigo da família me tinha trazido dos Estados Unidos.
Estávamos em Novembro e o dia estava óptimo com sol e temperatura amena.
Saímos de Faro logo de manhã cedo no carro do Silva Lobo, um "Sinca" branco, e lá fomos a caminho de Salir (Rocha da Pena).
Deixámos o carro entre as localidades da Pena e Penina, e tivemos de descer um declive, seguido de uma subida íngreme para atingir a base da Rocha.
Preparamos o material e tomei o lugar de guia. Escalei um diedro com cerca de 15 metros, com alguma dificuldade, tendo aproveitado uma plataforma onde estava uma árvore, para fazer segurança ao Silva Lobo que na subida ia retirando os mosquetões (os pitons ficaram lá).
A partir daí escalámos mais uma parede vertical e atingimos o nosso objectivo. Foi uma alegria enorme.
Já no topo apreciamos durante largos minutos a beleza da paisagem e regressámos ao carro pelo caminho do "talefe" que dá acesso à Penina.

Passado algum tempo, o jornal Correio da Manhã interessou-se por esta aventura tendo publicado uma reportagem com honras de primeira página.
Quando escalo presentemente na Rocha da Pena utilizo os pés-de-gato e material tecnicamente mais evoluído e seguro, que facilita bastante, e quando penso nas botas de montanha e no material e equipamento autodidacta que utilizei nessa altura fico consciente das dificuldades que tivemos, mas que superamos.