quarta-feira, 29 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DA ASCENSÃO AO MULHACÉN (SERRA NEVADA) 2010




O Mulhacén, com os seus 3482 m é a Montanha mais alta da Península Ibérica.
A Associação de Montanhismo e Escalada ao Algarve (AMEA) promove regularmente actividades de Alpinismo e como eu andava entusiasmado para tentar o cume desta mítica Montanha juntei-me à AMEA nesta expedição.
Já tinha mantido contactos com um alpinista inglês muito experiente, Richard Hartley, no sentido de integrar uma das suas cordadas ao Mulhacén mas por diversos contratempos, quer meteorológicos, quer de disponibilidade minha, acabaria por não chegar a acompanha-lo.
Chegado o dia da partida, encontramo-nos na sede da AMEA em Faro onde viria a conhecer os colegas de expedição:
Micael Teixeira, Junior Claudecir, Filipe Lara Ramos e André Lima Cabrita.
Como éramos cinco, optamos por partilhar o mesmo carro.
Saímos de Faro ao final da tarde em direcção à Serra Nevada.
Chegámos noite cerrada tendo acampado nesta primeira noite já a uma altitude considerável tendo em vista a aclimatação à altitude.
No outro dia de manhã começámos o trek de aproximação ao Refugio Poqueira (2495 m), seguindo a Acequia Alta.
Já próximo do Refúgio, um erro de orientação afastou-nos cerca de 100 m da via o que provocou numa autentica escalada em rocha e neve para atingir novamente a via num ponto mais elevado.
Apesar do desgaste tudo correu bem e chegámos ao Refugio de Alta Montanha Poqueira.
Jantámos e fomos dormir, dado que no dia seguinte a alvorada estava marcada para as cinco da manhã.
Assim foi, depois do pequeno almoço equipámo-nos e começámos o ataque ao cume.
Com os frontais ligados fomos progredindo na neve que estava em óptimas condições (dura) dado ser de madrugada.
Fomos em direcção à "Caldera" onde flectimos à direita subindo o flanco Oeste do Mulhacén, que dá acesso ao cume.
Esta subida é algo exigente e na parte final a progressão deu-se em gelo e rocha.
Finalmente o cume!
Estávamos no ponto mais alto da Península Ibérica.
Tirámos as fotos, exibimos as Bandeiras de Faro e Amea, e começámos a descida pela mesma via.
Chegámos então ao Refúgio onde descansámos e a partir daí fizemos todo o trek de regresso ao carro, novamente pela Acequia Alta.
Chegados ao carro sentimos uma grande alegria pelo sucesso da expedição.
Neste dia tinhamos estado em esforço na montanha num total de cerca de catorze horas consecutivas, mas a alegria era tanta que o cansaço não nos perturbou minimamente.
Regressámos nessa noite a Portugal com mais este cume conquistado.
Era o meu terceiro cume.