sábado, 25 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DE UMA VIAGEM NUM PEQUENO VELEIRO 1987


AVENTURA NA COSTA PORTUGUESA

No final do verão de 1987 fui convidado pelo Eduardo "zapinha" para levarmos um pequeno veleiro, construção caseira, (cerca de sete metros) de nome "Kamal" da Marina de Vilamoura para a Doca de Belém em Lisboa.

Chegámos a Vilamoura e encontrámos o nosso amigo Perna, que como tinha de ir para Lisboa decidiu juntar-se nós, aproveitando esta experiência náutica.

O Eduardo já tinha "tratado" de tudo, alimentação, combustível, etc, e fizemo-nos ao mar.

Soprava um vento fresco e o percurso até Sagres decorreu sem nada a apontar.

Dobrado o Cabo de S. Vicente, caiu a noite, e o vento, tendo-se ligado o motor para prosseguir viagem.

Na zona do Cabo Sardão o motor decidiu parar e o "zapinha" levou mais de duas horas a tentar que funcionasse...sem resultado.

Sem vento, andámos à deriva até nascer o dia e, levantando-se uma brisa, navegámos à vela e decidimos aportar em Sines para resolver o problema.

O Eduardo disse que se calhar tinha metido pouco gasóleo...só soube disto à chegada a Sines... não fiquei nada contente com ele.

Abastecemos, e curiosamente o motor voltou a trabalhar.

Saímos de Sines já ao fim da tarde, rumo a Lisboa.

Antes da atingirmos a península de Tróia, já noite cerrada, o motor voltou a parar desta vez definitivamente e as baterias como é normal numa situação destas descarregaram, tornando-se numa situação muito perigosa pois ficámos sem as luzes de navegação. Como entrou uma brisa, conseguimos velejar na direcção de Sesimbra e foi à luz de uma vela de cera que consultávamos a agulha para manter o rumo.

O Perna estava completamente enjoado e recolheu ao beliche.

Chegámos a Sesimbra e fundeámos em frente ao Forte, passando aí o resto da noite para no dia seguinte decidir o que fazer.

No outro dia levantou-se vento logo de manhã e decidimos arriscar navegar até Lisboa. Assim fizemos.

Dobrámos o Cabo Espichel aproveitando o vento que se fazia sentir mas foi já com muita dificuldade que passámos o Bugio, com vento muito fraco e claro sem motor.

Subimos o Tejo até à Doca de Belém, tendo concluído esta viagem já noite cerrada, onde se encontrava o proprietário do barco, desesperado e sem notícias nossas.
Felizmente tudo acabou bem.

Mais uma aventura.

Em memória do Perna.