terça-feira, 7 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DAS PRIMEIRAS ESCALADAS NA ROCHA DA PENA (SALIR) 1979


Nos anos de 1978 e 1979 já tinha realizado vários treinos de escalada em blocos rochosos no Cerro da Cabeça (Moncarapacho) e na Costa Vicentina. Decidi então experimentar algo mais arrojado.
Tive conhecimento da Rocha da Pena, através de Topógrafos da ex-Junta Autónoma de Estradas em Faro, e decidi explorar o potencial daquele local para a prática da escalada.
Contactei o meu colega de aventuras, José Silva Lobo, e após uma atenta verificação da zona decidimos escalar no sector ocidental da Rocha da Pena.
Preparámos o equipamento: dois tipos de pitons (progressão e ancoragem) feitos a partir de ferro utilizado nas armações na construção civil, martelo, mosquetões (que tinha comprado na Socidel em Lisboa), cerca de 30 metros de corda dupla (corda vulgar) , corda para fazer as cadeirinhas suíças (arnês) e levei umas botas de montanha (vibram) que um amigo da família me tinha trazido dos Estados Unidos.
Estávamos em Novembro e o dia estava óptimo com sol e temperatura amena.
Saímos de Faro logo de manhã cedo no carro do Silva Lobo, um "Sinca" branco, e lá fomos a caminho de Salir (Rocha da Pena).
Deixámos o carro entre as localidades da Pena e Penina, e tivemos de descer um declive, seguido de uma subida íngreme para atingir a base da Rocha.
Preparamos o material e tomei o lugar de guia. Escalei um diedro com cerca de 15 metros, com alguma dificuldade, tendo aproveitado uma plataforma onde estava uma árvore, para fazer segurança ao Silva Lobo que na subida ia retirando os mosquetões (os pitons ficaram lá).
A partir daí escalámos mais uma parede vertical e atingimos o nosso objectivo. Foi uma alegria enorme.
Já no topo apreciamos durante largos minutos a beleza da paisagem e regressámos ao carro pelo caminho do "talefe" que dá acesso à Penina.

Passado algum tempo, o jornal Correio da Manhã interessou-se por esta aventura tendo publicado uma reportagem com honras de primeira página.
Quando escalo presentemente na Rocha da Pena utilizo os pés-de-gato e material tecnicamente mais evoluído e seguro, que facilita bastante, e quando penso nas botas de montanha e no material e equipamento autodidacta que utilizei nessa altura fico consciente das dificuldades que tivemos, mas que superamos.