quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MEMÓRIAS DAS PRIMEIRAS EXPLORAÇÕES NO ALGAR DA MAXILA 1978


No final da década de 70 do século passado foram realizadas com sucesso as primeiras descidas ao Algar da Maxila no Cerro da Cabeça em Moncarapacho no Algarve.
Tive o privilégio de integrar uma dessas equipas:
João Humberto e Nelson (Moncarapacho), Luis Rocha Cruz e Luis Nadkarni (Faro).
Lembro-me como se fosse hoje dessa aventura:
Começámos por descer um poço através de corda fixa, o qual deu acesso a uma pequena plataforma onde tinha sido previamente montada uma escada (aço com degraus alumínio) e respectiva corda de segurança.
A partir desse local iniciámos a descida de um poço aéreo com cerca de 20 metros que deu acesso a outra plataforma, um pouco maior, onde está incrustado o fóssil de uma Maxila de animal (nome do Algar).
Empreendemos então a descida de mais um poço utilizando escada metálica e corda de segurança ( poço em forma de tubo vertical com cerca de 30 metros de profundidade).
Descemos os quatro em segurança e, quando alcançámos a base, estávamos a aproximadamente 60 metros de profundidade.
O objectivo desta expedição era desobstruir uma passagem que daria acesso a outro poço nunca antes explorado.
O João Humberto preparou a dinamite e após duas detonações conseguiu-se desobstruir a passagem.
O João e o Luís Rocha iniciaram a descida desse novo poço, sendo os primeiros seres humanos a vislumbrar a continuidade do Algar da Maxila (mais cerca de 30 metros).
O Nelson e eu ficámos nos 60 metros a dar segurança.
Na subida do Algar tudo se complicou pois estávamos no inverno, estando a chover torrencialmente todo o dia e apanhámos com uma "enchorrada" de água que vinha da superfície.
Avariaram-se os gasómetros e pilhas eléctricas e foi com muito sacrifício, espírito de equipa, e alguma sorte, dado que conseguimos acender uma pequena vela que nos permitiu ver a primeira escada, que conseguimos subir o Algar até à superfície.
Uma aventura que jamais esquecerei.
À memória do João Humberto.